Motorista de ambulância resgata sagui ferido em rodovia no interior de SP: 'Acostumada a socorrer'

Sagui é resgatado em Paulo de Faria (SP) Arquivo pessoal Um sagui-de-tufo-preto que ficou ferido em um trecho da Rodovia Waldemar Lopes Ferraz, entre Paulo de ...

Motorista de ambulância resgata sagui ferido em rodovia no interior de SP: 'Acostumada a socorrer'
Motorista de ambulância resgata sagui ferido em rodovia no interior de SP: 'Acostumada a socorrer' (Foto: Reprodução)

Sagui é resgatado em Paulo de Faria (SP) Arquivo pessoal Um sagui-de-tufo-preto que ficou ferido em um trecho da Rodovia Waldemar Lopes Ferraz, entre Paulo de Faria e Orindiúva (SP), foi resgatado por uma motorista de ambulância que passava pelo local na manhã de domingo (30). A Polícia Ambiental informou, na tarde desta segunda-feira (31), que o animal não resistiu e morreu. Ana Maria da Silva Brito Menezes, de 56 anos, avistou o animal deitado na pista. Em seguida, ela parou seu carro no acostamento e, junto com sua neta, retirou a macaca fêmea da faixa de rolamento, colocando-a na sombra de um bambuzal próximo a outros primatas da mesma espécie. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Na sequência, avó e neta seguiram viagem para Orindiúva. Todavia, na volta para casa, Ana Maria avistou novamente o sagui e outros bichos em volta dele. Sensibilizada, a mulher contou ao g1 que decidiu levar a macaca para sua residência a fim de socorrê-la. "Sentimento de ajudar como se eu estivesse socorrendo um ser que estava sentindo muita dor. Não era gente, como estou acostumada a socorrer na minha profissão, mas ajudo independente de ser pessoa ou animal", relatou a motorista. Sagui é resgatado no meio de rodovia no interior de SP Reprodução/Redes Sociais Reabilitação Em casa, a motorista fez contato com André Renato, de 52 anos. Ele é professor e presidente de uma ONG de proteção animal sediada em Paulo de Faria (SP). Por telefone, o homem a orientou sobre os primeiros cuidados de hidratação e medicação até que ele pudesse recolher o animal. ONG de Paulo de Faria (SP) cuida de sagui atropelado em rodovia SP-322 Reprodução/Redes Sociais Segundo André, a macaca fêmea estava muito fraca, abrindo apenas os olhos. Contudo, após receber água e cuidados ao longo da noite, começou a dar sinais de recuperação. Na manhã desta segunda-feira (31), a Prefeitura de Paulo de Faria se prontificou e realizou o transporte do primata até a Polícia Ambiental. André Renato Dorta Souza, presidente da ONG responsável por cuidar de sagui ferido na Rodovia SP-322 Arquivo pessoal "Honestamente, achei que ela não fosse sobreviver. Mas ela tomou bastante água e, quando chegou à Polícia Ambiental, já estava se movimentando mais e tentando até sair da caixa", explicou André. Uma segunda chance O animal foi recolhido pela Polícia Ambiental de São José do Rio Preto (SP), a qual se comprometeu a fazer o tratamento necessário para o sagui e avaliar se ela terá condições de retornar à natureza. Segundo André, a suspeita é de que a macaca tenha sido atropelada. “Por ter ficado muito tempo no sol, à beira da rodovia, ficou desidratada e ainda mais fraca. Quando chegou para nós, estava abrindo apenas os olhinhos, sem muitos movimentos. Honestamente, achei que ela não fosse sobreviver, mas, hoje cedo, ela estava se movimentando mais. Ela teve muita sorte”, disse o presidente da ONG. Ao g1, a Polícia Ambiental informou que o animal morreu na tarde desta segunda-feira. Polícia Ambiental em São José do Rio Preto (SP) Google Street View O professor também reforçou a necessidade de intervenções às margens da rodovia, como a implantação de alambrados que forcem a passagem dos animais por baixo da pista e a criação de passarelas suspensas para primatas. Segundo André, além de preservar a fauna regional, tais medidas reduzem significativamente o risco de colisões graves e aumentam a segurança dos próprios motoristas. Agora no g1 Impasses no socorro André Renato atua em resgate de animais há mais de 10 anos, principalmente de vítimas de acidentes em rodovias. “Esses animais têm uma taxa de mortalidade em resgates muito alta, boa parte das vezes já não há mais tempo", explicou o integrante da ONG. Um dos principais fatores que influencia o auxílio a esses animais é a falta de suporte dos órgãos oficiais para atender às demandas na cidade, de acordo com o professor. Outro ponto relevante é a falta de instrução para a população sobre como agir diante da situação. Trecho do Trevo de Orindiúva (SP) Reprodução/Google Maps “Quando um animal desses é encontrado, não há informações corretas sobre acomo proceder. Muitas vezes, só os motoristas ou moradores entrarem em contato já aumenta as chances de resgate e sobrevivência desses animais. Nesse caso, em específico, tivemos a sorte de conseguir falar com a prefeitura e eles puderam levar o animal, mas nem sempre isso é possível”, explicou André. André ainda conta que não há nenhum veterinário próximo à cidade que possa ajudar. Logo, esses animais ficam praticamente abandonados à própria sorte. À reportagem, a Prefeitura de Paulo de Faria informou em nota que animais silvestres resgatados não podem ser tratados nas clínicas veterinárias tradicionais do município, pois essas unidades são estruturadas para atendimento de animais domésticos e de rua, como cães e gatos. * Sob supervisão de Henrique Souza Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM